- Você é mesmo difícil... Não consegue aprender as coisas mais simples! Até uma criança faz isso... e só você não consegue!
- É melhor você desistir! É muito difícil e isso é pra quem tem garra!! Não é para gente como você!
- Não quer trabalhar... fique em casa! Lugar de doente é em casa! Quer ficar folgando... descansando.... de férias pra dormir até mais tarde....
- A empresa não é lugar para doente. Aqui você só atrapalha!
- Se você não quer trabalhar... por que não dá o lugar pra outro?
- Teu filho vai colocar comida em sua casa? Não pode sair! Escolha: ou trabalho ou toma conta do filho!
- Lugar de doente é no hospital... Aqui é pra trabalhar.
- Ou você trabalha ou você vai a médico. É pegar ou largar... não preciso de funcionário indeciso como você!
- Pessoas como você... Está cheio aí fora!
- Você é mole... frouxo... Se você não tem capacidade para trabalhar... Então porque não fica em casa? Vá pra casa lavar roupa!
- Não posso ficar com você! A empresa precisa de quem dá produção! E você só atrapalha!
- Reconheço que foi acidente... mas você tem de continuar trabalhando! Você não pode ir a médico! O que interessa é a produção!
- É melhor você pedir demissão... Você está doente... está indo muito a médicos!
- Para que você foi a médico? Que frescura é essa? Tá com frescura? Se quiser ir pra casa de dia... tem de trabalhar à noite!
- Se não pode pegar peso... dizem piadinhas "Ah... tá muito bom para você! Trabalhar até às duas e ir para casa. Eu também quero essa doença!"
- Não existe lugar aqui pra quem não quer trabalhar!
- Se você ficar pedindo saída eu vou ter de transferir você de empresa... de posto de trabalho... de horário...
- Seu trabalho é ótimo, maravilhoso... mas a empresa neste momento não precisa de você!
- Como você pode ter um currículo tão extenso e não consegue fazer essa coisa tão simples?
- Você me enganou com seu currículo... Não sabe fazer metade do que colocou no papel.
- Vou ter de arranjar alguém que tenha uma memória boa, pra trabalhar comigo, porque você... Esquece tudo!
- A empresa não precisa de incompetente igual a você!
- Ela faz confusão com tudo... É muito encrenqueira! É histérica! É mal casada! Não dormiu bem... é falta de ferro!
- Vamos ver que brigou com o marido!
12 de jun. de 2010
Frases discriminatórias freqüentemente utilizadas pelo agressor
Estratégias do agressor
- Escolher a vítima e isolar do grupo.
- Impedir de se expressar e não explicar o porquê.
- Fragilizar, ridicularizar, inferiorizar, menosprezar em frente aos pares.
- Culpabilizar/responsabilizar publicamente, podendo os comentários de sua incapacidade invadir, inclusive, o espaço familiar.
- Desestabilizar emocional e profissionalmente. A vítima gradativamente vai perdendo simultaneamente sua autoconfiança e o interesse pelo trabalho.
- Destruir a vítima (desencadeamento ou agravamento de doenças pré-existentes). A destruição da vítima engloba vigilância acentuada e constante. A vítima se isola da família e amigos, passando muitas vezes a usar drogas, principalmente o álcool.
- Livrar-se da vítima que são forçados/as a pedir demissão ou são demitidos/as, freqüentemente, por insubordinação.
- Impor ao coletivo sua autoridade para aumentar a produtividade.
A explicitação do assédio moral:
Gestos, condutas abusivas e constrangedoras, humilhar repetidamente, inferiorizar, amedrontar, menosprezar ou desprezar, ironizar, difamar, ridicularizar, risinhos, suspiros, piadas jocosas relacionadas ao sexo, ser indiferente à presença do/a outro/a, estigmatizar os/as adoecidos/as pelo e para o trabalho, colocá-los/as em situações vexatórias, falar baixinho acerca da pessoa, olhar e não ver ou ignorar sua presença, rir daquele/a que apresenta dificuldades, não cumprimentar, sugerir que peçam demissão, dar tarefas sem sentido ou que jamais serão utilizadas ou mesmo irão para o lixo, dar tarefas através de terceiros ou colocar em sua mesa sem avisar, controlar o tempo de idas ao banheiro, tornar público algo íntimo do/a subordinado/a, não explicar a causa da perseguição, difamar, ridicularizar.
As manifestações do assédio segundo o sexo:
Com as mulheres: os controles são diversificados e visam intimidar, submeter, proibir a fala, interditar a fisiologia, controlando tempo e freqüência de permanência nos banheiros. Relaciona atestados médicos e faltas a suspensão de cestas básicas ou promoções.
Com os homens: atingem a virilidade, preferencialmente.
Fases da humilhação no trabalho
A humilhação no trabalho envolve os fenômenos vertical e horizontal.
O fenômeno vertical se caracteriza por relações autoritárias, desumanas e aéticas, onde predomina os desmandos, a manipulação do medo, a competitividade, os programas de qualidade total associado a produtividade. Com a reestruturação e reorganização do trabalho, novas características foram incorporadas à função: qualificação, polifuncionalidade, visão sistêmica do processo produtivo, rotação das tarefas, autonomia e ’flexibilização’. Exige-se dos trabalhadores/as maior escolaridade, competência, eficiência, espírito competitivo, criatividade, qualificação, responsabilidade pela manutenção do seu próprio emprego (empregabilidade) visando produzir mais a baixo custo.
A ’flexibilização’ inclui a agilidade das empresas diante do mercado, agora globalizado, sem perder os conteúdos tradicionais e as regras das relações industriais. Se para os empresários competir significa ’dobrar-se elegantemente’ ante as flutuações do mercado, com os trabalhadores não acontece o mesmo, pois são obrigados a adaptar-se e aceitar as constantes mudanças e novas exigências das políticas competitivas dos empregadores no mercado global.
A "flexibilização", que na prática significa desregulamentação para os trabalhadores/as, envolve a precarização, eliminação de postos de trabalho e de direitos duramente conquistados, assimetria no contrato de trabalho, revisão permanente dos salários em função da conjuntura, imposição de baixos salários, jornadas prolongadas, trabalhar mais com menos pessoas, terceirização dos riscos, eclosão de novas doenças, mortes, desemprego massivo, informalidade, bicos e sub-empregos, dessindicalização, aumento da pobreza urbana e viver com incertezas. A ordem hegemônica do neoliberalismo abarca reestruturação produtiva, privatização acelerada, estado mínimo, políticas fiscais etc. que sustentam o abuso de poder e manipulação do medo, revelando a degradação deliberada das condições de trabalho.
O fenômeno horizontal está relacionado à pressão para produzir com qualidade e baixo custo. O medo de perder o emprego e não voltar ao mercado formal favorece a submissão e fortalecimento da tirania. O enraizamento e disseminação do medo no ambiente de trabalho, reforça atos individualistas, tolerância aos desmandos e práticas autoritárias no interior das empresas que sustentam a ’cultura do contentamento geral’. Enquanto os adoecidos ocultam a doença e trabalham com dores e sofrimentos, os sadios que não apresentam dificuldades produtivas, mas que ’carregam’ a incerteza de vir a tê-las, mimetizam o discurso das chefias e passam a discriminar os ’improdutivos’, humilhando-os.
A competição sistemática entre os trabalhadores incentivada pela empresa, provoca comportamentos agressivos e de indiferença ao sofrimento do outro. A exploração de mulheres e homens no trabalho explicita a excessiva freqüência de violência vivida no mundo do trabalho. A globalização da economia provoca, ela mesma, na sociedade uma deriva feita de exclusão, de desigualdades e de injustiças, que sustenta, por sua vez, um clima repleto de agressividades, não somente no mundo do trabalho, mas socialmente. Este fenômeno se caracteriza por algumas variáveis:
- Internalização, reprodução, reatualização e disseminação das práticas agressivas nas relações entre os pares, gerando indiferença ao sofrimento do outro e naturalização dos desmandos dos chefes.
- Dificuldade para enfrentar as agressões da organização do trabalho e interagir em equipe.
- Rompimento dos laços afetivos entre os pares, relações afetivas frias e endurecidas, aumento do individualismo e instauração do ’pacto do silêncio’ no coletivo.
- Comprometimento da saúde, da identidade e dignidade, podendo culminar em morte.
- Sentimento de inutilidade e coisificação. Descontentamento e falta de prazer no trabalho.
- Aumento do absenteísmo, diminuição da produtividade.
- Demissão forçada e desemprego.
O que é assédio moral?
Assédio moral ou violência moral no trabalho não é um fenômeno novo. Pode-se dizer que ele é tão antigo quanto o trabalho.
A novidade reside na intensificação, gravidade, amplitude e banalização do fenômeno e na abordagem que tenta estabelecer o nexo-causal com a organização do trabalho e tratá-lo como não inerente ao trabalho. A reflexão e o debate sobre o tema são recentes no Brasil, tendo ganhado força após a divulgação da pesquisa brasileira realizada por Dra. Margarida Barreto. Tema da sua dissertação de Mestrado em Psicologia Social, foi defendida em 22 de maio de 2000 na PUC/ SP, sob o título "Uma jornada de humilhações".
A primeira matéria sobre a pesquisa brasileira saiu na Folha de São Paulo, no dia 25 de novembro de 2000, na coluna de Mônica Bérgamo. Desde então o tema tem tido presença constante nos jornais, revistas, rádio e televisão, em todo país. O assunto vem sendo discutido amplamente pela sociedade, em particular no movimento sindical e no âmbito do legislativo.
Em agosto do mesmo ano, foi publicado no Brasil o livro de Marie France Hirigoyen "Harcèlement Moral: la violence perverse au quotidien". O livro foi traduzido pela Editora Bertrand Brasil, com o título Assédio moral: a violência perversa no cotidiano.
Atualmente existem mais de 80 projetos de lei em diferentes municípios do país. Vários projetos já foram aprovados e, entre eles, destacamos: São Paulo, Natal, Guarulhos, Iracemápolis, Bauru, Jaboticabal, Cascavel, Sidrolândia, Reserva do Iguaçu, Guararema, Campinas, entre outros. No âmbito estadual, o Rio de Janeiro, que, desde maio de 2002, condena esta prática. Existem projetos em tramitação nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Paraná, Bahia, entre outros. No âmbito federal, há propostas de alteração do Código Penal e outros projetos de lei.
O que é humilhação?
Conceito: É um sentimento de ser ofendido/a, menosprezado/a, rebaixado/a, inferiorizado/a, submetido/a, vexado/a, constrangido/a e ultrajado/a pelo outro/a. É sentir-se um ninguém, sem valor, inútil. Magoado/a, revoltado/a, perturbado/a, mortificado/a, traído/a, envergonhado/a, indignado/a e com raiva. A humilhação causa dor, tristeza e sofrimento.
E o que é assédio moral no trabalho?
É a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras,repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções, sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias e assimétricas, em que predominam condutas negativas, relações desumanas e aéticas de longa duração, de um ou mais chefes dirigida a um ou mais subordinado(s), desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização, forçando-o a desistir do emprego.
Caracteriza-se pela degradação deliberada das condições de trabalho em que prevalecem atitudes e condutas negativas dos chefes em relação a seus subordinados, constituindo uma experiência subjetiva que acarreta prejuízos práticos e emocionais para o trabalhador e a organização. A vítima escolhida é isolada do grupo sem explicações, passando a ser hostilizada, ridicularizada, inferiorizada, culpabilizada e desacreditada diante dos pares. Estes, por medo do desemprego e a vergonha de serem também humilhados associado ao estímulo constante à competitividade, rompem os laços afetivos com a vítima e, freqüentemente, reproduzem e reatualizam ações e atos do agressor no ambiente de trabalho, instaurando o ’pacto da tolerância e do silêncio’ no coletivo, enquanto a vitima vai gradativamente se desestabilizando e fragilizando, ’perdendo’ sua auto-estima.
Em resumo: um ato isolado de humilhação não é assédio moral. Este, pressupõe:
- repetição sistemática
- intencionalidade (forçar o outro a abrir mão do emprego)
- direcionalidade (uma pessoa do grupo é escolhida como bode expiatório)
- temporalidade (durante a jornada, por dias e meses)
- degradação deliberada das condições de trabalho
Entretanto, quer seja um ato ou a repetição deste ato, devemos combater firmemente por constituir uma violência psicológica, causando danos à saúde física e mental, não somente daquele que é excluído, mas de todo o coletivo que testemunha esses atos.
O desabrochar do individualismo reafirma o perfil do ’novo’ trabalhador: ’autônomo, flexível’, capaz, competitivo, criativo, agressivo, qualificado e empregável. Estas habilidades o qualificam para a demanda do mercado que procura a excelência e saúde perfeita. Estar ’apto’ significa responsabilizar os trabalhadores pela formação/qualificação e culpabilizá-los pelo desemprego, aumento da pobreza urbana e miséria, desfocando a realidade e impondo aos trabalhadores um sofrimento perverso.
A humilhação repetitiva e de longa duração interfere na vida do trabalhador e trabalhadora de modo direto, comprometendo sua identidade, dignidade e relações afetivas e sociais, ocasionando graves danos à saúde física e mental*, que podem evoluir para a incapacidade laborativa, desemprego ou mesmo a morte, constituindo um risco invisível, porém concreto, nas relações e condições de trabalho.
A violência moral no trabalho constitui um fenômeno internacional segundo levantamento recente da Organização Internacional do Trabalho (OIT) com diversos paises desenvolvidos. A pesquisa aponta para distúrbios da saúde mental relacionado com as condições de trabalho em países como Finlândia, Alemanha, Reino Unido, Polônia e Estados Unidos. As perspectivas são sombrias para as duas próximas décadas, pois segundo a OIT e Organização Mundial da Saúde, estas serão as décadas do ’mal estar na globalização", onde predominará depressões, angustias e outros danos psíquicos, relacionados com as novas políticas de gestão na organização de trabalho e que estão vinculadas as políticas neoliberais.
6 de jun. de 2010
27 de mai. de 2010
MODAL FERROVIÁRIO
CENÁRIO ATUAL
Na América do Sul desde 1988 existe o MERCOSUL e na América do Norte o NAFTA e está previsto para os próximos anos a ALCA, que visa reunir num único bloco, todos os países da América.
Dentro deste contexto, os países da América do Sul somente poderão integrar estes blocos, sem prejuízos para suas economias, na hora que seus produtos tenham competitividade no mercado internacional, o que vai depender primordialmente da estrutura de transportes que necessita ser modernizada e racionalizada.
Na América do Sul, um primeiro passo foi dado com a definição das 12 macro – rotas de integração, cujos projetos modais devem agora serem desenvolvidos de modo que se tenha um apoio institucional dos Governos dos países envolvidos e uma posterior alocação de recursos, através de financiamento internacional, para concretização das obras elencadas como prioritárias.
Nos três Seminários realizados pelo Comitê das Rotas de Integração da América do Sul, foram apresentados, pelos países que participaram dos eventos, quatro projetos ferroviários que mereceram aprovação em plenário, e que estão a exigir uma maior definição das Autoridades dos países envolvidos.
1 – LIGAÇÃO FERROVIÁRIA PORTO ALEGRE – ANTOFAGASTA
Prevê a ligação entre Porto Alegre (Brasil ) e Antofagasta (Chile), atravessando o nordeste Argentino, através de ferrovia com bitola métrica. Para isto serão necessários a execução dos projetos e obras:
– Colocação de 3º trilho entre Passo de Los Libres e Corrientes, na República Argentina, com aproximadamente 230km.
– Construção de ponte ferroviária entre Corrientes e Resistência, na República Argentina.
Estas medidas permitirão o tráfego ferroviário entre Brasil, Argentina e Chile, na bitola métrica, sem necessidade de transbordo.
Contempla a ligação entre o Chile, Argentina, Uruguai, Brasil e Paraguai, através de ferrovia interligando os seus polos econômicos e aproveitando a ferrovia existente, que deverá no entanto ser modernizada.
Os trechos a serem utilizados serão:
Santiago do Chile – Los Andes
Los Andes – Las Cuevas
Las Cuevas – Mendonza – Santa Fé
Santa Fé – Concordia - Salto
Salto – Buenos Aires
Salto - Montevidéu
Salto – Assuncion
Salto – Livramento
Livramento – Porto Alegre
Prevê a ligação entre Buenos Aires (Argentina) e Concepcion (Chile) por ferrovia, atravessando os Andes. Será necessária a seguinte obra:
A passagem dos Andes será no Passo Mallin de Los Chilenos na altitude de 1758m, o que possibilitará o tráfego em praticamente todo o ano.
4 – LIGAÇÃO FERROVIÁRIA ENTRE SUCRE (VENEZUELA) E BOA VISTA (BRASIL)
Realização de estudo de viabilidade técnica e econômica da ligação ferroviária entre Sucre (Venezuela) e Boa Vista (Brasil), integrante do eixo 4 das Rotas de Integração.
É imperativo que a matriz de transportes dos países da América do Sul seja racionalizada e a utilização dos potenciais de todos os modais de transportes maximizada, se quisermos realmente baixar os nossos custos com a logística envolvida desde a origem até o destino final dos produtos das nossas diversas cadeias produtivas.
Isto não significa a simples substituição ou privilégio de um modal de transporte em detrimento de outro, mas sim a utilização racional de cada um deles de acordo com o tipo de carga, distância e demais características envolvidas com a origem e destino dos produtos em questão.
Está cada vez mais evidente que de nada adianta as indústrias se modernizarem tecnologicamente, melhorarem a qualidade de seus produtos, se adequarem às normas e processos de aceitação internacional para atingirem custos em condições de concorrer no mercado globalizado, se a logística de transporte envolvida desde o transporte de seus insumos até a indústria e do produto acabado na porta de suas fábricas até atingir o seu destino final não estiver da mesma forma dimensionada e adequada a crescente e trepidante disputa do mercado internacional. Poderemos estar produzindo com competência, atingindo custos adequados que mantenham as nossas indústrias em funcionamento, assegurando o precioso emprego de nossos habitantes e, talvez, por deficiências da nossa infra-estrutura de transportes, ver todo esse esforço jogado fora. De igual maneira, os produtos agrícolas e os resultantes da extração mineral de interesse para exportação precisam possuir custos adequados na sua logística de transportes até a entrega no seu ponto de consumo. De nada adiantará os cuidados no plantio, na colheita ou extração, no seu correto manuseio e seleção para atingirem os índices e características do exigente mercado internacional, se a partir daí não conseguir custos de transportes que permitam a sua concorrência nesse disputadíssimo mercado.
No que diz respeito à utilização das nossas hidrovias, é importante salientar que, onde existirem rios navegáveis, elas serão especialmente competitivas para o transporte de cargas que exijam um grande volume e que sejam transportadas a grandes distâncias. Isto significa que o transporte hidroviário possui cargas cativas com características bem definidas para a sua utilização, não deixando de se integrar com os demais modais de transporte, especialmente com o rodoviário, naquele segmento em que ele é imbatível, qual seja o das curtas distâncias, ou no também chamado “transporte porta a porta”. Logo, não estaremos simplesmente substituindo o modal rodoviário pelo hidroviário, mas sim integrando-os e racionalizando a utilização de cada um, colocando a carga na hidrovia com seus custos mais baixos, na longa distância e, a rodovia, nos trechos mais curtos entre o porto e os locais de origem e/ou destino final. Além disso, é também fundamental para a integração econômica dos países da América do Sul, a utilização de grandes vias navegáveis que cortam o nosso continente, como são exemplos as ligações entre as Bacias dos Rios Orinoco e Amazonas e sua interconexão com a Bacia do Prata. Também são importantes as tentativas de ligação entre o Oceano Atlântico e o Pacífico como é exemplo, entre outros, o Corredor Porto Alegre – Jujuy - Antofagasta, onde mais uma vez, necessitamos de uma integração com outros modais, quais sejam, o ferroviário e o rodoviário. Tudo no sentido de procurarmos alternativas mais econômicas para os nossos produtos serem adquiridos ou atingirem os grandes centros consumidores do continente asiático, europeu ou americano do norte.
No que se refere especificamente aos portos, e este é um tema que aflige todos os países da América do Sul, precisamos cada vez mais procurar a redução dos seus custos de movimentação, a fim de que possamos nos tornar mais competitivos, tanto no comércio com os demais países do continente quanto nas trocas comerciais com os diferentes blocos comerciais existentes no mundo. Para isso novamente devemos estar atentos para o que está ocorrendo no restante do mundo, não só nas inovações tecnológicas mas também nas legislações que envolvem as relações de trabalho da orla portuária. Conforme já explicitado anteriormente, não podemos estar com os nossos produtos adequados à concorrência internacional e perdermos a nossa competitividade no transporte e/ou na movimentação portuária dos mesmos. Nesse particular, convém que se alerte para a importância que as questões portuárias assumem na maioria dos eixos de transporte prioritários definidos para o desenvolvimento da América do Sul, uma vez que nas suas extremidades existem portos para entrada e saída de produtos que podem ser vitais para o nosso desenvolvimento e, dependendo da sua maior ou menor competitividade, poderão ser os responsáveis pelo crescimento ou atraso de nossas economias.
O tema “Rotas de Integração da América do Sul” é estratégico para todos os países nele envolvidos. Tanto isso é verdade, que na Reunião dos Presidentes da América do Sul, que teve lugar em Brasília, em 1° de setembro de2000, houve um decidido apoio outorgado pela Iniciativa para a Integração da Infra-estrutura Regional da América do Sul - IIRSA, pela importância que cada vez mais assume as questões de infra-estrutura para o desenvolvimento de nossos povos e economias, sem as quais será muito difícil enfrentarmos de igual para igual os demais blocos econômicos em formação ou já consolidados. De igual forma, a Declaração Conjunta dos Presidentes da República Federativa do Brasil e da República do Chile, realizada em Arica, no último dia 20 de março, decidiu, entre outras moções, respaldar um impulso nas atividades da IIRSA e reafirmar em relação ao Eixo Interoceânico Brasil-Bolívia-Paraguai-Chile-Peru, que sua concretização constituirá um fator importante de desenvolvimento para a região. Nesse sentido, examinaram o tema dos corredores bioceânicos e as possibilidades se sua implementação pelas variantes Arica-Santa Cruz-Corumbá e, também, Arica-Santa Cruz-Cuiabá.
É com o objetivo de estimular a realização desses projetos e obras de vital importância para o nosso continente que o Comitê das Rotas de Integração da América do Sul foi idealizado. Para nossa satisfação muitas das sugestões retiradas de nossos encontros e seminários já foram aproveitadas por outros órgãos e instituições envolvidos com essa temática. O Comitê possui especialistas nas modalidades de transporte rodoviário, ferroviário, hidroviário, aeroviário, portuário, na área de telecomunicações, energia elétrica e postos de fronteira, com a finalidade de colaborar para que este tema de suma importância para todos os nossos países seja levado adiante e não seja um obstáculo para o crescimento de nossas economias e o desenvolvimento de nossos povos .
A importância da racionalização da matriz de transportes existente.
O modal hidroviário no contexto da intermodalidade de transportes.
Características das cargas do modal hidroviário em relação aos demais modais.
MODAL RODOVIÁRIO
A globalização da economia mundial está impondo a países e regiões, uma aproximação, visando melhor explorar as suas potencialidades econômicas, procurando tornar seus produtos competitivos em qualquer parte do mundo.
Neste contexto, insere-se o transporte de pessoas e mercadorias das mais diferentes regiões produtoras do nosso continente Sul-americano e, o seu deslocamento, necessita estudos referentes ao que existe disponível nos vários modais .
Como estes estudos envolvem o território de vários países, teremos que inicialmente desenvolver um Plano Geral que apresente o desejo de cada País , quais os seus projetos, a viabilidade e previsões para a consecução dos objetivos. Cada vez mais a logística do transporte tem influência no preço das mercadorias.
Atualmente, o modal rodoviário é o mais utilizado na região pela sua versatilidade, mesmo tendo um custo mais alto.
Apesar da exiguidade de recursos, existem elementos suficientes para justificar a obtenção de fundos para a execução de estudos completos, que poderão ser desenvolvidos por organismos governamentais, ou empresas internacionais de consultoria, bem como a busca de financiadores que se interessem por algum dos projetos como um todo.jpg)
.jpg)

.jpg)
.jpg)